Pesquisadores, da Universidade de Michigan, querem entender como os eventos climáticos agravados pelas mudanças climáticas extremas, irão afetar o ecossistema e os benefícios que eles fornecem aos humanos. Quanto as colheitas de morangos diminuirão quando o calor extremo prejudicar os polinizadores? Quanto a produção de madeira diminuirá quando tempestades de vento achatarem florestas? Quanto o valor recreativo desaparecerá quando grandes incêndios florestais varrerem cidades nas montanhas? O objetivo do estudo é justamente encontrar respostas a perguntas como estas.
“Não somos as primeiras pessoas a tentar isso e não seremos as últimas, mas é uma tentativa de conectar holisticamente perturbações climáticas e processos naturais”, afirma Peter Reich, professor da Escola de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Universidade do Michigam.
Para mostrar o potencial do modelo de estudo, a equipe o aplicou para calcular as possíveis consequências de tempestades de vento extremas em uma floresta de latitude média no norte de Minnesota. O modelo considerou como os ventos têm efeitos diferentes em diferentes espécies de árvores, cada uma das quais tem valor econômico distinto. Por exemplo, árvores de cedro branco são mais resistentes a tempestades de vento do que pinheiros ou abetos, mas estes últimos podem ser vendidos a um preço mais alto.
O modelo sugeriu que uma tempestade de vento, dependendo de sua intensidade, pode cortar o valor total da madeira da floresta em 23% a 50%. Oportunidades recreativas como caminhadas e acampamentos também seriam afetadas.
“Sabemos que todos os aspectos da saúde ecológica são importantes, mas monetizar os serviços que obtemos da natureza é esclarecedor”, disse Reich.
Por exemplo, ninguém quer perder árvores em incêndios florestais, ele disse. Mas as pessoas podem ser mais ativas na proteção da natureza quando entendem a perda econômica que acompanha a perda da natureza e da biodiversidade.
O novo modelo também ajuda a identificar as áreas onde os cientistas devem priorizar a queima para alcançar a maior redução no risco de incêndio, ao mesmo tempo em que considera outros benefícios que as árvores proporcionam, como a remoção de dióxido de carbono da atmosfera e a filtragem de água.
A Organização Meteorológica Mundial das Nações Unidas anunciou no dia 19 de março que mais de 150 eventos climáticos extremos sem precedentes atingiram a Terra no ano passado. Com as perturbações se tornando mais comuns, as futuras análises do Produto Interno Bruto, por exemplo, devem começar a incorporar os impactos das mudanças climáticas, disse Dee.
“As contribuições da natureza para as pessoas não são tipicamente valorizadas e geralmente são deixadas de fora dos principais processos de tomada de decisão ao desenvolver políticas e estratégias de gestão de terras”, ela disse. “Se não considerarmos os riscos crescentes de eventos climáticos extremos, podemos perder mais do que imaginamos.”
Fonte: Yvaine Ye, Universidade do Colorado